Crónica: Por que é difícil descobrir números 10 portugueses | Relvado

Crónica: Por que é difícil descobrir números 10 portugueses

 

Acontece não por acaso que não temos médios-ofensivos, os tais número 10! Claro, despacham-nos todos para as alas, mesmo aqueles que não têm velocidade para ser extremo e dariam excelentes craques no meio-campo ofensivo (Vieirinha, por exemplo).Felizmente descobriu-se Danny! Já nos Sub-21 e no Torneio de Toulon (que ganhamos nesse ano com Danny, Ronaldo e companhia), jogava a 10, assim como nas fabulosas épocas que fez no Marítimo (dessas que no actual Domingo Desportivo nunca serão vislumbradas, pelo tempo que se prefere dar aos "paineleiros"...).Como é possível terem-no "queimado" no Sporting a entrar a 10 minutos do fim para jogar a extremo-esquerdo e dar a volta ao jogo ou só para rodar? "Queimavam-no" a ele como queimariam um Maradona, Riquelme, Zico, qualquer um!Para ilustrar melhor o que se passa: imaginem que um treinador das camadas jovens ou seniores descobria em Portugal o grande 10 Maradona, ora punha-o a jogar a ala e como Maradona não tem grande velocidade começava a dizer-se que era um jogador vulgar, que não explodia... E assim, perdíamos o Maradona em Portugal e temos vindo a perder todos os nossos potenciais 10!E depois o que acontece: ou importamos 10 estrangeiros ou começamos a tentar pôr na cabeça que Moutinho, Tiago, Carlos Martins ou outros (que são sim número 8) são 10, quando não são nem nunca vão ser, pois não são "fura-moitas", "abre-latas", ou seja, não improvisam em termos criativos, não desequilibram, não fazem no centro o que um Ronaldo ou um Quaresma podem fazer nas alas, percebem?Lembram-se do jogo entre Portugal e Suíça no Euro 2008? Por que falhou? Quem tínhamos no meio-campo? Onde estava o 10 para alimentar o jogos dos extremos e ponta-de-lança? Sem o 10, o estilo de jogo do futebol português falha por completo!Dean Saunders

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Comentários [42]

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Esqueçam o numero em si...

Ha pessoal que esta a comentar muito centrado no numero dos jogadores, mas isso, pelo menos na minha opiniao(e penso que tambem na cronica)nao interessa verdadeiramente. O que importa aqui é a ausencia de produçao de jogadores capazes de conduzir jogo pelo centro do terreno, capazes de distribuir com magia ou partirem eles mesmos para a jogada individual, jogando no centro do terreno...que em tempos se convencionou chamar de numero 10, mesmo que nao seja esse o numero da camisola. Nao é complicado pois nao?

Muita confusão no artigo e nas respostas

Já reparei que se confunde as características de determinados jogadores, com o número da respectiva camisola que envergam, assim como com a própria história desse número. É óbvio que o artigo refere-se a jogadores com as características de organizador de jogo e que sejam o patrão do meio-campo. É sabido que a nossa selecção tem utilizado um sistema onde um jogador, actualmente o Deco, assume o papel de construtor de jogo e impulsiona a equipa no sector atacante, mas cada caso é um caso e por isso não se pode comparar linearmente os diversos números 10 por este mundo fora. Nos últimos 15 anos a nossa selecção passou por diversas fases. Na fase pós-geração de Riade/Lisboa Rui Costa assumiu o papel de 10 no centro do meio-campo assumindo o papel de organizador, ficando João Pinto numa posição dúbia entre o avançado, 2º avançado, falso ponta-de-lança,.. e o Figo encostou na ala. Com o passar dos anos Luís Figo começou a penetrar em zonas centrais e a partilhar muitas vezes o papel fulcrar de condução do ataque, sendo que na zona mais avançada do terreno a dupla João Pinto/Sá Pinto foi sendo substítuida por verdadeiros pontas-de-lança (Pauleta e Nuno Gomes). O verdadeiro sucesso da nossa selecção correspondeu à entrada de Deco na equipa, que com o nº10 ou 20 nas costas, se revelou um moderníssimo 10 do século XXI, realizando as funções já exercidas por Rui costa no ataque, acrescentando uma maior dinâmica com os outros jogadores do meio-campo (com Maniche por exemplo), para além do seu papel na organização defensiva da equipa. Para futuro não é necessário que se tenha à força de encontrar um substituto com as mesmas características de Deco, mas sim adaptar o sistema aos jogadores existentes e se necessário colocar de parte aqueles que por mais vedetas que sejam não se enquadrem na filosofia de jogo do seleccionador. Como já foi lembrado muitas equipas/selecções não jogam com 10 típicos, mas tiveram capacidade para encontrar um estilo e uma dinâmica de jogo que se enquadrava com a "matéria-prima" existente. Será um erro ao nível de selecção procurar sucessores deste ou daquele, pois a formação e o desenvolvimento das capacidades técnico-tácticas dos jogadores cabe principalmente aos clubes. Tudo isto para dizer que não é nenhum drama esta questão do nº10 e que com inteligência, imaginação e porque não dizer coragem (da aprte dos seleccionadores), se conseguirá superar no futuro este "problema".

Facto:especie em vias de extinçao na Peninsula

Concordo com o artigo do Saunders, é uma questao muito importante que muitos pretendem desvalorizar. Recupero aqui um post que escrevi num blog ha uns anos, mas ainda com alguma actualidade, precisamente sobre este problema. Hoje, anos depois, ainda mantenho a mesma opiniao, embora perceba que Ronaldinho iniciou um novo conceito, em relaçao ao que se pode fazer e como participar no jogo, como falso extremo. Hoje ha Messi e C.Ronaldo, mas tudo isto nao invalida que sinta saudades e tenha a certeza que ainda ha lugar para essa posiçao, mais ainda para o nosso tipo de futebol. Ai vai o post: "...Como ainda ninguém se lembrou de criar uma associação de protecção, contra esse lento e triste desaparecimento desses artistas impares na Peninsula Iberica, com um 10 gravado nas costas? Procuram-se soluções urgentemente...fazer a dispersão da espécie no seu habitat natural? Impraticável, dada a nova ordem ideológica sobre a qual falarei. Juntar em cativeiro temporariamente para que se reproduzam? Bem...esta está excluida...juntar Rui Costa e Valeron é um bocado contra-natura e cativeiro é totalmente avesso à liberdade tão essencial a estes especimes ...talvez quando a clonagem for prática corrente, esteja resolvido o problema...Adiante...Eis que alguém arquitectou uma solução temporária: há um sub-continente onde a espécie, após anos e anos de selecção natural, se aperfeiçoou e adaptou completamente ao meio, isenta às mudanças profundas do outro lado do Mundo...América do Sul...de lá se mandou vir Deco...e aqui está para já, numa reposição breve se não se tomarem outras medidas. Euro 2000: Portugal- Inglaterra Quando todos exaltam a qualidade de Figo, alguém se deve estar a sentir esquecido. Ainda hoje quando revejo esse jogo, não consigo entender como tão pouco se falou de Rui Costa. Mágico, dinâmico, bola colada ao pé, simbiose perfeita...como um comentador inglês disse em 96: “Rui Costa é poesia em movimento”. Prenúncio do que estava para vir. A injustiça sobre ele cometida por tantos portugueses, que ansiosos por ver Deco jogar(eu também o queria), se esqueceram de anos e anos de orgulho e de estética sem preço que nos foi oferecida pelo principe Rui, vaiando alguém que a isso deveria estar muito justamente imune. E o lobo partiu, envelhecido e ferido...ha-de voltar um dia à Luz, numa manha de nevoeiro, como é lenda popular. Rui Costa no seu auge, para mim, era superior a Deco. Teve o azar de o ter passado num clube sem a dimensão que ele tanto merecia. Tivesse o Benfica chegado a acordo com o Barcelona onde era O Desejado por Cruyff : “o Barcelona precisa de um 10 que faça girar o jogo todo à sua volta...esse jogador é Rui Costa” e ainda hoje os portugueses se dividiriam sobre o maior génio pós- Eusébio: Figo ou Rui Costa? Parece-vos exagerado? Qual o melhor jogador português no Euro-96? Só o Paulo China dirá Figo e não Rui Costa... Há alguns anos começavam a imperar na Europa com resultados assustadoramente efectivos, tácticas destrutivas, manhas e anti-jogo, amarras à criatividade. Diminuição do número de oportunidades, golos em falta, profecias da morte do espectáculo do futebol, tentações de tomada de medidas desesperadas(aumento do tamanho das balizas, lançamentos laterais com os pés) felizmente não aprovadas. Os italianos reinavam felizes, peritos em ordem e estabilidade, como sempre contrários ao caos provocado pelas hordas bárbaras. Um pouco por todo o lado, ia-se chegando à mesma conclusão: a forma mais eficaz de combater aquilo, era invadir pelos flancos, ainda e sempre vulneráveis. O jogo cada vez mais lateralizado. Um pouco por todo o lado, iam surgindo os novos criativos, agora deslocados para as linhas: os extremos- sempre existiram mas nunca com a importância que viriam a desempenhar, agora que eram eles a maior esperança de criação de desequilíbrios. Craques com ordem imediata para migrar para lá. O centro tornou-se zona de combate demasiado duro e feroz para eles. Os Ibéricos, como sempre, olharam servil e respeitosamente essas inovações europeias procurando imitar, esquecendo-se que com o talento natural e abundante que possuem não teriam necessariamente de seguir o mesmo caminho, tendo outras soluções inerentes a quem é abençoado com qualidades extra. Mais! Acabaram por ser os que mais aperfeiçoaram essa nova ideologia, levando-a ao extremo(dos extremos) neste inicio de milénio quando em outras paragens, até já se voltaram a preferir e encontrar outros meios de penetração ofensiva que não essa(mas infelizmente na Europa, os únicos países além da França que poderiam dar um grande número de nº10 com classe mundial eram Portugal e Espanha) . Vejamos: Figo, Cristiano Ronaldo, Quaresma, Simão, Joaquin, Vicente, Reyes, Luque...estão para vir Fabio Paim, Bruno Gama, Vieirinha e imagino que mais uns quantos espanhóis... Todos “extremamente” talentosos....todos extremos...juntem todos os extremos do resto do mundo e não encontrarão tanta qualidade como a existente apenas na Península. Continuaram a existir felizes excepções a lembrar o antigamente: Rui Costa, Zidane, Rosicky, M.Laudrup, Prosinecki, mas o que se convencionou apodar de número 10 europeu moderno, na sua maioria, passou a ser um jogador essencialmente de distribuição para os extremos, interposto de passagem breve, com boa visão de jogo e qualidade de passe, mas demasiado distante dos outros criativos para rendilhar o futebol como outrora, com características adaptadas às novas circunstâncias sem o antigo poder de condução de bola e drible, de criação individual. Hugo Viana na selecção de Sub-21(em 4-3-3), era um bom exemplo disso. Não os considero verdadeiros nº10. Imaginem se em 1640 os portugueses tivessem preferido continuar a bater castanholas em vez de iniciarem uma revolução...como seria hoje? Quem jogaria nas duas posições disponiveis nas linhas? Figo ou Joaquin ou Ronaldo? Reyes ou Vicente ou Simao? Como seria dentro do balneário? Discussões? Revolução? Guerra? Mortes? O que se pouparia se um ou dois destes verdadeiros craques tivessem sido criados a jogar pelo centro...uma distribuição de talento muito mais proveitosa pelo terreno de jogo. Eu disse “criados” porque há aqui um problema que não pode ser resolvido com atraso. Consigo imaginar os treinadores portugueses das camadas jovens, profundamente embrenhados nesta nova doutrina, a observarem um miúdo com grande capacidade de condução de bola e drible, a darem imediatamente o veredicto decisivo nas suas carreiras: “ tu agarras-te demais à bola...vais para a linha! Lá já podes fintar!”. E ali ficarão eles, para sempre confinados a espaços menos decisivos, habituando-se a isso, perdendo muitos deles para sempre, a capacidade de evoluir no largo campo da visão de jogo, nunca conseguindo completar o seu potencial. Artistas incompletos, inacabados, presos a ideias tácticas forjadas com boas intenções, mas com efeitos secundários nocivos ao espectáculo do futebol. O problema é que se o sistema for estático, basta ao adversário ter dois laterais ágeis e rápidos, peritos em 1 contra 1, e boas interajudas à linha e muitos dos problemas que podiam ser criados estão resolvidos. Pelo centro, os adversários que os criativos têm pela frente, vão sempre variando, não dá tanta possibilidade à habituação defensiva. Felizmente, isso tem vindo a melhorar nos últimos tempos com o aparecimento de muitos falsos extremos e espero que essa melhoria prossiga. Não digo que todos os extremos referidos poderiam dar bons 10. Muitos deles estão na posição ideal. Mas não tenho dúvidas que alguns poderiam tornar-se ainda mais decisivos, se tivessem tido essa oportunidade de crescer como organizadores do jogo ofensivo. Teríamos craques formados para quase todas as posições ofensivas. No pólo oposto, Brasil e Argentina. Digam-me extremos de nível mundial destes 2 países...pois é, rareiam. Agora digam-me nº10 de classe mundial dos mesmos. Aos montes! E não é que eles, mesmo assim, lá pelo meio, conseguem penetrar em qualquer paliçada ou trincheira defensiva? Sim, porque têm excepcional habilidade! Coisa que apenas Portugal e Espanha possuem na Europa....Algures entre uma ideologia e outra, está a perfeição."

Re: Facto:especie em vias de extinçao na Peninsula

Estive a ler com toda a atenção e não posso deixar de concordar com a maioria das coisas. Está realmente interessante e muito bem escrito. Aproveito para dizer que também sou da opinião de que Rui Costa foi, inequivocamente, bem melhor que Figo. Simplesmente tiveram percursos diferentes...

Re: Facto:especie em vias de extinçao na Peninsula

É um insulto comparar o Figo ao Rui Costa. O Figo foi bastante melhor do RC em praticamente toda a carreira, sendo muito mais regular e eficaz no seu desempenho como futebolista, quer ao nível de clubes ou selecção. O Figo será recordado na minha opinião como o o melhor jogador português de sempre, tendo apenas a concorrência de Eusébio. Quem sabe se um dia o Ronaldo se poderá intrometer nesta "luta".. Já o Rui Costa apesar de muito mérito e qualidade ficou a anos-luz da carreira de Figo e factos são factos. Podemos dizer que tinha potencial para mais, mas a realidade é só uma e não.

Re: Facto:especie em vias de extinçao na Peninsula

Não concordo. As carreiras falam por si,por onde Figo passou foi sempre titular,o mesmo não aconteceu com Rui Costa.

Re: Facto:especie em vias de extinçao na Peninsula

Onde? No Milan, já na fase descendente da carreira? Na Fiorentina foi sempre a figura de proa juntamente com o Batistuta...

Re: Facto:especie em vias de extinçao na Peninsula

Ele chegou ao Milan com 27,28 anos,a verdade é que não singrou.Quando finalmente chega a um grande clube,falha!

Re: Facto:especie em vias de extinçao na Peninsula

Fiorentina?.. loll É minimamente comparável a Barcelona, Real Madrid e Inter??

Re: Facto:especie em vias de extinçao na Peninsula

O facto da Fiorentina ser mais pequena que os clubes por once passou só comprova a minha teoria. Tiveram percursos diferentes. Rui Costa, se na altura tivesse ido para o Barça, hoje o seu reconhecimento seria bem maior...

Muito bem! Interessante!

Permite-me que destaque isto: "Quando todos exaltam a qualidade de Figo, alguém se deve estar a sentir esquecido. Ainda hoje quando revejo esse jogo, não consigo entender como tão pouco se falou de Rui Costa. Mágico, dinâmico, bola colada ao pé, simbiose perfeita...como um comentador inglês disse em 96: “Rui Costa é poesia em movimento”. Prenúncio do que estava para vir. A injustiça sobre ele cometida por tantos portugueses, que ansiosos por ver Deco jogar(eu também o queria), se esqueceram de anos e anos de orgulho e de estética sem preço que nos foi oferecida pelo principe Rui, vaiando alguém que a isso deveria estar muito justamente imune. E o lobo partiu, envelhecido e ferido...ha-de voltar um dia à Luz, numa manha de nevoeiro, como é lenda popular. Rui Costa no seu auge, para mim, era superior a Deco. Teve o azar de o ter passado num clube sem a dimensão que ele tanto merecia. Tivesse o Benfica chegado a acordo com o Barcelona onde era O Desejado por Cruyff : “o Barcelona precisa de um 10 que faça girar o jogo todo à sua volta...esse jogador é Rui Costa” e ainda hoje os portugueses se dividiriam sobre o maior génio pós- Eusébio: Figo ou Rui Costa? Parece-vos exagerado? Qual o melhor jogador português no Euro-96? Só o Paulo China dirá Figo e não Rui Costa... Completamente de acordo. Rui Costa é dos jogadores mais queridos de sempre de todos os adeptos de futebol e simultaneamente talvez o mais injustiçado em termos de carreira e reconhecimento. Fui dos que chorou de alegria com aquele tremendo golo fente à Inglaterra, por Portugal mas principalmente por ele pois ninguém merecia mais doque ele aquele golo. Não tinha nada contra Deco (que aliás fez um Europeu soberbo) mas a forma como alguma imprensa queria empurrar Rui Costa para fora da selecção para dar lugar a Deco, bem como aquele golo extraordinário e a calma olímpica com que Rui Costa se afastou com a classe de quem tem classe naturalmente... foi bonito e triste ao mesmo tempo! Já o disse muitas vezes e repito: Rui Costa era um príncipe dos relvados, a classe em movimento, com uma elegÂncia que só tinha visto em Cruyff. Uma vez vi num canal qualquer (no Discovery... acho) um programa sobre a carreira dele com jogadas e golos que nunca tinha visto e só posso dizer: QUE JOGADOR FANTÁSTICO!

Director's cut :)

Isto estava enorme, ai vao mais algumas coisas que la estavam e penitencio-me desde ja por ter elogiado o harmonio de Peseiro:D Ah e quero chamar a atençao para ter incluido Simao no rol de extremos talentosos! Isto prova que a minha perseguiçao ao anao, é recente, apenas desde o momento em que o vi perder praticamente toda a capacidade de criaçao. "...Além disso, permitiria aos portugueses desenvolver e tornarem-se peritos em 2 sistemas de jogo: o 4-3-3 e o 4-4-2, como o harmónio de Peseiro. Teríamos craques formados para quase todas as posições ofensivas. Muitos admiram-se de Pedro Barbosa com esta idade estar ainda a brilhar em Alvalade...eu não...está finalmente a jogar numa posição muito aproximada da sua ideal. Mais ao centro e com liberdade...quantas vezes ele foi sacrificado ao longo da carreira, pela ideologia dos extremos, sendo deslocado várias vezes à esquerda?..." "...Diego é um 10 à antiga. Tem que se adaptar, melhorar a sua capacidade de distribuição. Deco conseguiu isso com grande sucesso, ficando ali, entre o 10 europeu moderno e o 10 brasileiro à antiga. Mas lembrem-se de algumas exibições mais conseguidas dele. Com Carlos Alberto como falso extremo a vir muitas vezes ao centro, onde os 2 juntos baralhavam o adversário(jogo da Luz p.ex). Quaresma ainda não tem essa capacidade de jogo curto, de tabelas constantes...um desequilibrador à portuguesa: fortissimo no drible de 1 para 1(os brasileiros são mais fortes nos dribles instintivos, de improviso imediato, bola em movimento, os portugueses melhores no drible preparado), mas sem grande capacidade no toma lá, dá cá, do futebol curtinho, porque regra geral, está longe dos seus companheiros. Lembrem-se de jogadas em que Quaresma e Diego combinaram com grande proveito? Pois é...praticamente não há. Dois jogadores formados em ideologias bem diferentes. E dois talentos destes, se conseguissem fazer isso, seriam um pesadelo para qualquer oponente..." "... Termino com o melhor sonho possível que um amante do futebol estético pode ter. Fechemos os olhos. Adormeçamos...lá vai Marisa Cruz com a camisola da selecção portuguesa, bola no pé, cabeça levantada, número 10 nas costas, nº00 à frente, cabelo louro rebelde...a imagem da liberdade. Dribla um, dribla dois, remata. Golooooooooo de Portugal! A câmara dá um plano aproximado da artista...Horror supremo! Afinal é João Vieira Pinto! Graeme Souness disse um dia com desprezo: “Ainda hoje não sei qual é a posição do J. Pinto...” Eu digo-lhe Mr Souness! Se calhar ele era um 10! Um 10 mais uma vez deslocado do seu lugar natural, desta vez não para extremo. Mais uma vez...quantas mais até nada termos, quando o nosso adoptado Deco se retirar?"

ora aqui está quem não percebe nada de futebol!

Porra, meter o Vieirinha(?), Danny, Tiago e Carlos Martins (este como sucessor do Deco!!!) no mesmo artigo onde falas de Rui Costa, Maradona e Zico? Que imaginação! O nº10 tem pouco a ver com a posição em que actua o jogador. Tem mais a ver com carisma, responsabilidade, decisão em campo, organização e prestígio! Pelé era um avançado-centro e era 10 (lembram-se do tridente Didi, Pelé e Vavá?). Eusébio não era avançado e era 10. Matthaus era 10 e não era avançado e o nº original dele era o 8. O 10 atribui-se muitas vezes a jogadores que na zona nevrálgica do terreno se distingam pela organização ou capacidade de decisão de jogos. É um número mítico, símbolo de um estatuto conquistado dentro do campo. Um pouco a exemplo do que acontece actualmente com o número 7 perpetuado por Crujff e usado por Cantona, Ronaldo... Aliás, lembro-me que o nº 10 da Alemanha foi durante muito tempo do "Bombardeiro" Mueller que mais não sabia que escoicear a bola na direcção da baliza. E já agora outra curiosidade que já na altura achava estranho: Karl Heinz Rumemnigge foi sempre o nº 11.

Re: ora aqui está quem não percebe nada de futebol

Em vez de achares logo que os outros não percebem de futebol, ficava-te melhor e o relvado beneficiava com menos agressividade e maior tolerância e alguma mais humildade! Johann Cruyjf jogava com a camisola 14, tendo na altura sido feito um pedido especial para não ser respeitada a numeração de 1 a 11 como era usual! Ao contrário do que dizes, Pelé era mais um avançado, jogando algo atrás e junto ao ponta de lança (com Tostão no Mundial 70 naquela que foi a melhor equipa que vi a praticar futebol!) e jogava sempre com o 10. Eusébio pelo contrário, era mesmo um avançado e não jogava com o 10! Esse número, na equipa do Benfica e na selecção era propriedade de um grande jogador, também de Moçambique, chamado Mário Coluna! Eusébio jogava habitualmente com o número 8. Houve 10 mais recuados, mais organizadores e outros algo mais avançados, mas eram 10 por girar à sua volta o futebol de ataque das suas equipas!

Re: ora aqui está quem não percebe nada de futebol!

Crujf não era o 14?

És capaz de ter razão...

Acho que era tão bom naquela posição que era 2 vezes 7=14 ;o) Eu tenho o péssimo hábito de me fiar na memória e estou sujeito a cometer erros. Verifica lá isso e diz qualquer coisa. A ser verdade as minhas desculpas desde já ao autor do artigo por este erro.

Não é dificil de descobrir!

Em 1º lugar Deco não é um 10!!! É um 8.. Depois, é verdade que encstamos muitos jogadores nas alas, mas isso é a tendencia do futebol portugues, e não só. Pois neste ultimos anos poucas são as equipas que jogam com um 10 puro, ou jogam com um 8 ou com um 9.5, logo exite pouca margem no futebol actual pros tipicos 10 de antigamente, já estam fora de "moda"... Agora ou se exige que o 10 defenda e faça a organização de jogo e a transiçoes ou que marque golos, não chega ter um jogador em campo que só organize e faça assistencias!

O Danny

não é nenhum número 10, é mais um segundo avançado não é propriamente um organizador de jogo como o Deco por exemplo, além disso o Danny ainda tem muito que provar para ser algum sucessor do Rui Costa ou do Deco.

O 10

A meu ver antes de iniciar qualquer discução sobre o famoso numero 10 é preciso pensar o que entendemos pelo numero 10. Por partes! 1º - O numero 10 Quando falo em numero 10 vem me à ideia um jogador a actuar entre o meio campo e o ponta de lança. Um jogador solto, sem grandes tarefas defensivas. O jogador responsável por pautar todo o jogo de uma equipa, que arranca de trás para a frente e faz passes a rasgar toda uma defesa para os extremos e ponta de lança. Não necessita de ser um grande tecnicista, mas sim de ter uma visão de jogo, inteligência e qualidade de passe acima da média. 2º - Vantagens/Desvantagens Jogar com um tipico 10 dá, normalmente, a uma equipa, um perfume diferente ao seu futebol. Vemos passes a rasgar defesas, vemos mais inteligência na maneira de jogar, vemos o jogo pautado de outra forma. Mas, jogar com um 10, não é so vantagens. Se uma equipa está dependente de apenas um jogador torna-se fraca se jogar sem ele, e se este estiver em baixo de forma. O rendimento de uma equipa que joga com um 10 está muitas vezes associado ao rendimento desse mesmo 10, e isso não é muito vantajoso a meu ver. 3º - Panorama actual do futebol mundial O tipico numero 10 é um jogador em extinção, e mesmo os ainda existentes são dificeis de encaixar nas equipas de futebol actuais, é só olhar para os grandes da Europa e ver quais jogam com um tipico 10. A função que era dada a um 10 é hoje feita pelos médios centro. São jogadores que, além de conseguirem desempenhar essas funções ainda defendem e não é necessáriamente apenas um jogador a pegar no jogo, mas os vários que actuam no centro do terreno. Por outro lado, hoje preferem-se jogadores a actuar atrás de um ponta-de-lança que joguem mais à frente que um tipico 10 e que tenham grande velocidade e mobilidade para cair nas alas, o algumas vezes chamado 9,5. Poucas são as equipas/selecções a jogarem com um tipico 10 e Portugal não vai ser excepção a lomgo prazo.

Esta história dos números 10 tem muito que se lhe.

... diga:
  • Eusébio e Pelé eram #10 mas eram sobretudo goleadores, avançados tecnicistas!
  • Maradona era um #10 mas era um jogador que gostava de jogar atrás do avançado ou ao seu lado, mais do que a meio-campo!
  • Matthaüs era um #10 mas que jogava no meio-campo, tanto a atacar como a defender!
  • Paulo Futre era um #10 mas que gostava de jogar na faixa!
  • Agora mais recente...
  • Gallas é um #10 mas joga a defesa central!
  • Deco é um #10 de meio-campo, mas que joga com o #20 nas costas!
  • Ronaldinho é um #10 mas joga melhor nas faixas do que no centro do terreno!
  • E poderia continuar aqui o resto da tarde! Para mim a definição de #10 é o jogador da equipa que apresenta uma combinação perfeita de nível técnico, táctico, carisma e criatividade. Relativamente às questões, para mim são falsas, pois como é que podemos dizer que nos faltam #10, se as nossas equipas não jogam com jogadores nacionais? Culpem os vossos presidentes, que deixam fugir para o Chipre e Roménia muitos dos bons valores nacionais que com alguma aposta poderiam fazer carreira nos grandes. Cumprimentos Futebolísticos! PS: Carlos Martins é o substituto natural de Deco na selecção, Danny é um jogador que joga entre o meio-campo e o ponta-de-lança.

    Re: Esta história dos números 10 tem muito que se lhe.

    Eusébio não era o 13? Tenho quase a certeza!

    Na selecção era!

    Nos primeiros tempos do Benfica também, mas no auge era o 10, tal e qual o Pelé! Cumprimentos Futebolísticos!

    Re: Esta história dos números 10 tem muito que se

    Tantas coisas erradas neste comentário! A mais grave de todas é, contudo, dizeres que o Eusébio foi um 10! É que foi a maior estrela de sempre do teu clube! Na verdade, quem era o 10 da famosa equipa do Benfica dos anos sessenta era outro e chamava-se Mário Coluna, por acaso também o capitão de equipa! E Eusébio nunca jogava com, nem desempenhava o papel, de 10! Era o 8 habitualmente!

    Re: Esta história dos números 10 tem muito que se

    Nao concordo com a tua opiniao. O 10, em termos de posiçao, e nao de camisola, normalemente é o médio mais ofenssivo, o criador de jogo, o cérebro... E o Rui Costa ser um jogador diferente em espanha, isso concordo, mas diferente em melhor? O Rui ganhou tecnica, bola nos pés, classe e sobretudo cultura tactica e colectivismo em Italia... Dificil de opinar sobre coisas que nao aconteceram.

    Provavelmente és da mesma geração que eu...

    ... por isso dizes isso. Talvez vejas o exemplo do Zidane ou mesmo do Platini e por isso consideras que o #10 é o médio ofensivo... Mas se por exemplo, tiver uma equipa organizada em 4-4-2? Ou até mesmo num 4-2-4 puro? Onde fica o número 10? Cumprimentos Futebolísticos!

    Re: Esta história dos números 10 tem muito que se lhe.

    O Carlos Martins??? big lolllllllllllll Veremos qt tempo dura o estado de graça do rapazinho...

    Re: Esta história dos números 10 tem muito que se

    E porque nao? Qual Português escolhias para substituto natural do Deco na actualidade?

    Rui Costa

    Foi um dos 10 "mais 10" de sempre... Era a classe em pessoa e jogava na posição de 10.

    Questão de formação.

    Eu sei q pode parecer uma ideia absurda, mas q tal treinadores exclusivos pr trabalhar nessa posição, tal como existe treinadores só pr os guarda-redes, podia haver tb pr os nº 10, a começar pela formação, vendo quais os míudos mais aptos pr essa função e desenvolver ao máximo as suas potencialidades, tendo em conta sua visão de jogo, precisão no passe, agilidade, controlo de bola e técnica, essênciais num 10.

    Para que serve um 10?

    Há mais de 20 anos, quando perguntavam a Artur Jorge, o primeiro treinador português a ser campeão europeu, porque é que não jogava com um número 10 no Porto ele respondia: se eu tiver um jogador por quem tem de passar todo o jogo ofensivo da minha equipa, basta ao adversário marcá-lo bem para anular esse jogo ofensivo! Prefiro distribuir as tarefas por vários! Artur Jorge estava avançado em relação ao que era comum nesse tempo e por isso ganhava tanto! Hoje, já quase não há equipas a jogarem com os 10 típicos e não foi por isso que o futebol perdeu qualidade! Na verdade, sempre houve dois tipos de 10: os mais recuados, que organizavam o ataque a partir de trás e de que eram exemplos Platini, Rui Costa, Maradona, Lothar Matheus, Mário Coluna, Zidane e alguns mais que muitos recordam e que constituiam a maioria e os mais ofensivos, que jogavam mais perto do ponta de lança como Pelé, o nosso João Pinto ou de Pablo Aimar, mais raros mas que tinham um papel mais junto à área adversária! Os 10, dum ou outro tipo, por definição, quase nada participavam no trabalho defensivo da equipa e recebiam a bola dos colegas, de forma quase obrigatória, para organizar os movimentos ofensivos! Hoje, já não há lugar na maioria das equipas para esses privilegiados! Os médios têm de participar no trabalho defensivo e até os avançados são chamados a essas tarefas. Têm de partir mais de trás e distribuir o jogo, funções que desempenham a par de outros colegas que não em exclusividade! É tipicamente o caso de Deco ou, no FC Porto, de Lucho Gonzalez! Creio que o autor tem razão no que diz respeito aos médios ofensivos, mas perde um pouco quando só fala de números 10 que não fazem grande falta no futebol moderno!