O poder de Mourinho transformou-se em 'poção trágica' | Relvado
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Para além das questões tácticas, há uma relação de poder entre José Mourinho e a instituição Real

 

Não é normal um treinador, que não é um treinador qualquer, o ’melhor do Mundo’, o ‘Special One’, conseguir na liderança da Liga espanhola 5 pontos de vantagem sobre o segundo classificado, e achar-se confrontado com um coro de críticas que o deixam numa posição de desconforto, como se pôde perceber através da conferência de imprensa que concedeu antes da deslocação a Camp Nou para jogar a segunda mão dos quartos de final da Taça do Rei.

 

Não é um treinador qualquer,  não trabalha num clube qualquer de uma Liga qualquer e ainda assim, mesmo assobiado por muitos daqueles que antes o aplaudiam, tem 5 pontos de avanço sobre o rival que também não é uma equipa qualquer -- o Barcelona.

 

Pode ser estranho, mas é a realidade e já se percebeu que, por mais vitórias que o Real Madrid possa somar na Liga espanhola, muitos dos seus adeptos e aficionados não vão perdoar a José Mourinho os desaires perante o Barcelona e principalmente a forma repetida como o técnico português se acaba de entregar ao ‘gigante da Catalunha’.

 

José Mourinho sempre foi assim: se acredita no caminho que escolhe, insiste, insiste, até provar a razão dessa(s) escolha(s). Mesmo que  lhe sejam dados sinais, como é o caso, que pode estar errado em relação a algumas estratégias, escolhas e opções. É uma questão de carácter e formação, o mesmo carácter e formação que o conduziu à glória como treinador de futebol.

 

A última vez que escrevi aqui sobre José Mourinho foi em 13 de Dezembro, em cujo artigo escrevi que ‘José Mourinho tem um complexo B’ -- B de Barcelona -- que não consegue superar e o vai conduzir, provavelmente, a uma situação de máxima exaustão.

 

As cinco semanas que se seguiram, apesar da dinâmica de vitória no campeonato, adensaram a ideia de que Mourinho está a ver estreitar-se o seu caminho em Madrid. Tudo por causa do Barcelona. Tudo por causa da forma como vê o Barcelona. Com efeito, quando se repetem as ideias e o métodos e os resultados não aparecem, as pessoas começam a questionar-se. E, neste momento, está criada a ideia, até internamente, de que Mourinho não sabe jogar com o Barcelona.

 

Compete ao treinador português desmentir a constatação: no curto-prazo, Mourinho só conseguiria calar este coro de assobios e críticas se conseguisse eliminar o Barcelona da Taça do Rei, em pleno Camp Nou, anulando a desvantagem de 1-2 que adregou em Madrid. É um cenário muito improvável, mas é nos cenários improváveis que se conseguem gerar os momentos históricos. A pergunta que se impõe para o jogo desta quarta-feira é muito simplesmente esta: conseguirá José Mourinho achar finalmente o antídoto para contrariar o ‘futebol de posse’ (de bola) do Barcelona e ainda tem, na equipa, jogadores mental e fisicamente disponíveis para lutar por ele?

 

A pergunta justifica-se porque, a avaliar pelos ecos da imprensa espanhola, o mau estar já se instalou na relação entre treinador e alguns jogadores -- uma situação que Mourinho, ao longo da sua carreira, sempre soube evitar, pelo menos ao ponto de contaminar o grupo de uma forma vital.

 

Há, em primeiro lugar, uma questão que já se debate internamente que tem a ver com a forma de o Real Madrid jogar, sempre que actua perante o Barcelona. Para muitos madridistas e alguns jogadores, mesmo reconhecendo os méritos da identidade e das rotinas do ‘Barça’, não faz nenhum sentido que o Real não consiga ter a bola em seu poder. Mourinho é um ‘fanático dos espaços’ e do seu controlo e não se importa de não ter a bola, desde que não dê espaço aos seus adversários, neste caso a uma equipa com as características do Barcelona. Ora há quem não compreenda isto e ache tratar-se de um erro de palmatória, quase infantil.

 

Por outro lado, este jogo da primeira mão da Taça do Rei, em Madrid, colocou a nu uma situação que pode ter sido o maior erro de José Mourinho dos últimos tempos -- a protecção a Pepe, principalmente na forma como o protegeu numa situação merecedora de crítica (o pisão a Messi).

 

O futebol é uma actividade com códigos, mas em certos momentos os seus protagonistas são sensíveis a determinados valores. A justiça é um deles. Nem os jogadores do Real Madrid, com os espanhóis à cabeça, gostaram de ver José Mourinho defender o indefensável. Um líder tem de ser justo. Um líder que perde o sentido de justiça deixa de ter condições para afirmar a sua liderança. É óbvio que a defesa de Pepe ajudou a fragilizar José Mourinho, que há muito já tinha compreendido o ambiente em que estava metido.

 

Não foi por acaso que, recentemente, o técnico português alimentou o cenário de poder regressar (um dia) a Inglaterra. Mourinho não deixa nada ao acaso: pode querer que lhe roam agora os ossos mas já começou a preparar o terreno. Ninguém é ingénuo. Nem Mourinho nem Florentino Pérez.

 

Acresce que no Real Madrid porque o treinador é português; porque o jogador mais mediático é português (Cristiano Ronaldo); e porque há mais portugueses no plantel (Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão e Pepe), é fácil gerar a ideia de um certo proteccionismo aos jogadores portugueses, para cujo grupo entra ‘por adopção’ o brasileiro Marcelo, que sempre se vê em ambiente de grande cumplicidade com aquele que é visto como ‘ grupo preferencial’ de Mourinho.

 

É um jogo perigoso, no qual nunca alinharam Iker Casillas, Sérgio Ramos e Xabi Alonso, os dois primeiros observados como guardiões do ‘madridismo remanescente’.

 

Mourinho tornou-se um símbolo de poder. Um poder que, não sendo mais forte do que o poder do Barcelona, se transforma num anti-poder do Real Madrid.

 

Mourinho pode ter ganho uma batalha quando afastou Jorge Valdano e ‘puxou’ Florentino para o seu tabuleiro. Mas está em ris co de perder a ‘guerra’... Uma ‘guerra’ difícil para a qual é preciso ter muita coragem, nervos de aço e um pouco de ‘sentido de justiça’. Aqui, Mourinho deu o flanco -- e esse pode ter sido o seu maior pecado...

 

NOTA - Ou muito me engano ou José Mourinho ainda vai 'acertar contas' com o 'bufo' esteve na base da capa da 'Marca', que reproduz alegadas conversas mantidas entre o treinador português e os jogadores do Real, no rescaldo do jogo com o 'Barça', em Madrid. E, ou muito me engano ou José Mourinho vai levar a sua defesa de Pepe até ao fim, já na partida desta quarta-feira no Camp Nou.

Isto não acaba assim!...

 

 

 

Rui Santos no Relvado 3 (fundo branco)
Taxonomia: 
Rui Santos

Pois caro Rui Santos

Mourinho nada mais fez do que demonstrar que é português. Um país onde reina a selva no futebol, o país do vale tudo para ganhar jogos de futebol nem que para tal tenha de se mentir, usar a arrogância indiscriminada, falar mal das associações de arbitragem e dos árbitros que erraram conta a sua equipa, mandar bocas para a bancada sobre os dirigentes máximos do futebol, açambarcar todo o peder nos clubes onde treina, colocar dúvidas no ar sobre a honestidade deste ou daquelealto dirigente responsável, numa palavra, chamar a si todas as atenções a qualquer preço.

Oh Rui Santos,

a resposta para todas essas interrogações/interpretações/divagações e outras palavras terminadas em ões,
deu-a mais uma vez o José ao dizer: Os meus jogadores dizem que não se pode ganhar em Camp Nou mas,
esquece-se (?) que se pode ganhar no Santiago Barnabéu...E por aqui me fico...Cumprimentos e saudações
desportivas e benfiquistas.

P.S. Caro Kitazzz, sem querer ofender, o Mourinho fez poucas aquisições ??? Não me diga que ainda queria
mais ? Era para pôr o patrão Florentino numa esquina a pedir? Essas exigências (de todos os treinadores)
é o que mais me leva "aos arames)e que detesto ver os presidentes dos clubes aceitarem como de uma
fatalidade a que não podem fugir...Uma vergonha.

Mourinho

O jogo de hoje com o Barcelona vai ser muito importante. Se o Mourinho conseguir vencer em Camp Nou relança de novo o entusiasmo dos adeptos do Real Madrid. O Barcelona é uma nuvem na brilhante carreira de Mourinho. Porque efetivamente são muito bons!

O homem que se devorou a si próprio

"Mourinho quis poder como se fosse a poção mágica e a solução para todas as suas inquietações... poder que se revelou quase caricato... mágico... trágico... élixir que é agora um verdadeiro veneno."
Nem mais. A antítese é de facto o melhor figura de estilo para descrever um personagem cujos piores defeitos são as melhores qualidades, dependendo do ângulo de luz com que olha. A persona "larger than life" que cada vez mais projecta e assume, está "despegada" da realidade, julgando-se acima das vulgares convenções que julgam todos os outros. É tiro no pé seguido de tiro no pé. O homem que há uns anos relativizava a importância do futebol na sua vida, foi engolido pelo personagem, por vezes caricato, que deixa a razão ser toldada pelo jogo.
Um brilhante treinador a quem ninguém pode tirar os titulos do passado nem a actual liderança na liga. Apenas o Barcelona e ele próprio.

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Estão convidados a participar, principalmente Sportinguistas.

Trata-se de um grupo fechado cujos participantes são actuais e antigos menbros do Relvado.
Ilustres adeptos dos maiores clubes do mundo, nomeadamente os portugueses que espalham magia (ou não) por esta Europa fora. Experts da matéria, conhecedores, comentadores refinados, mentes iluminadas.

Um grupo só para os melhores dos melhores, para a nata do comentário e da crítica futebolística, desportiva, social e política.

Sr. Rui Santos.... Quando

Sr. Rui Santos.... Quando Mourinho assinou pelo Real Madrid, depois da conquista da Liga dos Campeões Europeus com o Inter de Milão, o jornalista da TVI Sousa Martins veio-lhe com uma pergunta do sentir a pressão de treinar um clube de grandes egos e super estrelas como o Real Madrid. Ao qual Mourinho respondeu dizendo que não seria nunca capaz de mudar o Real Madrid, mas podia ser um treinador com um perfil capaz de ajudar a mudar, e disse com alguma ironia que o Real Madrid não ia querer contratar muitos Super Homens e Batmans para o plantel, e o que é certo é que Mourinho fez poucas transferências mas de grande qualidade, e deixou um recado àquilo que em Portugal mais temos que são os «cientistas da bola» e considerou que seria excelente ver os grandes comentadores desportivos que temos em Portugal a treinarem.....
Mourinho disse « Epah ó Sousa lá em Portugal há tantos cientistas da bola que às vezes penso que não percebo nada disto.» e porque não os comentadores em vez de criticarem não fazerem melhor.... se calhar porque quando estamos a ver um jogo comentado por aquele traste do Freitas Lobo percebe-mos que afinal ele parece um cego a comentar pintura..... onde se faz um mito tão grande de que poderia ser um enorme treinador, vai-se a ver e percebe tanto de bola como o Santana Lopes de politica..... acho que muitas das vezes em vez de criticarem porque não fazer??

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