André Villas-Boas: 'Golden Kid' | Relvado
Lead: 

Só Domingos Paciência e a equipa do Sp. Braga podem evitar que André Villas-Boas possa começar um

Ouve-se a conferência de imprensa concedida por André Villas-Boas (AVB) no lançamento da ‘final de Dublin’ e há uma diferença clara entre as perguntas dos jornalistas portugueses e as perguntas dos jornalistas de outras nacionalidades. Cada qual puxa as questões que se julga serem do domínio do interesse dos respectivos públicos-alvo. Os jornalistas britânicos não esquecem a passagem de AVB pelo Chelsea e procuram a declaração-chave do próprio treinador do FC Porto em relação às semelhanças/diferenças que se estabelecem com José Mourinho.

No fundo, a ‘Europa do Futebol’ quer perceber se AVB é uma espécie de ‘clone’ de ‘Mou’; se se inspira nele e nos seus ensinamentos; se se revê, com satisfação, na pele de ‘Special Two’.

É uma questão sensível para o ‘mercado’ (sempre ávido em achar novas referências) e é uma questão delicada para o próprio AVB, que não quer renegar aquilo que foi o tempo vivido ao lado de José Mourinho, sem consentir, nas entrelinhas, a relativização da importância do seu (‘secundário’) trabalho.

É natural e humano que AVB queira fazer um caminho... sem comparação. Por mais grato que seja e também por mais convicto que esteja relativamente à sua participação na construção do sucesso do ‘Special One’.

José Mourinho já entrou na História do Futebol. André Villas-Boas começou agora a fazer história. Não há comparação possível entre vivências, dinâmicas e currículos. Mas aquilo que, em tão pouco tempo, AVB conseguiu exteriorizar, coloca-o forçosamente sob os principais holofotes. Porque AVB pode começar a ganhar mais cedo aquilo que ‘Mou’ já ganhou. E isso gera expectativa, mexe com as pessoas, mexe com os protagonistas, mexe com o mercado.

André Villas-Boas tem a seu favor, agora longe do seu ex-líder, a interpretação sobre a forma de estar de José Mourinho no futebol. Esta modalidade é mais do que arrumar onze jogadores dentro do campo. É preciso ter essa vocação, compreender, interpretar e activar o treino; reagir durante a competição -- mas não basta. É necessário, igualmente, gerir a relação com os media e os adversários, porque o futebol é um ‘grande mundo’ e nenhum treinador terá êxito continuado se se fechar nos seus ‘pequenos mundos’.

José Mourinho optou, discursivamente, por um ‘técnica de ataque’. De combate quase permanente. Com resultados, na maior parte dos casos, mas com acumulação de enorme desgaste.

Às vezes é necessário optar por ‘técnicas’ mais evasivas. Nesse sentido, AVB -- embora ainda não totalmente testado em ambiente adverso -- dá a sensação de se querer assumir de uma forma mais equilibrada. Talvez compreenda, afinal através do exemplo de José Mourinho, que não é sempre bom estar sistematicamente ‘contra o Mundo’.

Bem sabemos que ‘Mou’ faz da proximidade da relação com os jogadores uma das suas principais ‘armas’. Nenhum treinador pode arrogar-se a esquecer esse pormaior, o que não significa necessariamente subserviência ou fraca personalidade. Difícil é exigir e manter a confiança e, paralelamente, o rendimento.

Quando se ouve Helton sublinhar que a maior qualidade de AVB é ser ‘amigo’ dos jogadores, mesmo considerando que nestas situações não há lugar para respostas politicamente incorrectas, alcança-se o essencial: o treinador do FC Porto achou o caminho certo e, nessa óptica, a final de Dublin é uma oportunidade que não pode perder. Sob pena de hipotecar parte importante da boa imagem que soube construir em muito pouco tempo, com o alto patrocínio da ‘estrutura do FC Porto’.

André Villas-Boas está perto de começar um novo ciclo ‘investido’ como... ‘Golden Kid’. Basta-lhe ganhar ao Sp. Braga, se Domingos Paciência estiver pelos ajustes. É que Domingos, ex-grande jogador, ao contrário de Villas-Boas (a face dicotómica de uma análise que importa realizar noutra oportunidade), também está a escassas horas de poder tornar-se, ele próprio, no centro das atenções. As vitórias ajudam a construir os ‘fenómenos’, e há uma coisa que já ninguém tira ao Sp. Braga e ao seu treinador: é possível êxito desportivo com recursos (mais) limitados.

Em ambiente de crise e independentemente do resultado em Dublin, esta talvez seja a lição mais importante a reter. O futebol também tem de gastar menos, sem perder a competitividade. Um problema que, afinal, se coloca ao País.

(Rui Santos escreve de acordo com a grafia do português pré-acordo ortográfico)

Acompanhe os artigos do Relvado no Facebook e no Twitter.

Taxonomia: 
Rui Santos

Apenas uma questão...

A poucas horas de uma final entre Porto e Braga, também fará uma crónica sobre o Domingos? Ou isto será como no dia da final da Taça da Liga em que saíram umas 3 notícias a bajular um clube que não um dos finalistas?

Como o Porto é viso no

Como o Porto é viso no estrangeiro:
http://fr.sports.yahoo.com/17052011/79/17052011200015.html

Sacrilégio!

"Porto meilleur que le Barça ?" Ei lá! Um sacrilégio! E em francês...

Como o Porto é visto no

Como o Porto é visto no estrangeiro.

Lembro-me da final de 1984!

Estive em Basileia, em 84, na primeira final europeia do meu Porto! Muita ilusão, muita vontade, mas quando revejo esse jogo acho que faltou alguma coisa ao FC Porto. Talvez que o setimento de alegria ~e de dever cumprido pela chegada à final tenha tirado um pouco de ambição para disputar e vencer essa final! O Porto fez, então, uma bela partida mas perdeu ante uma Juventus que, embora cheia de vedetas, não era superior!
Tenho-me lembrado dessa final algumas vezes quando vejo alguns erros que o Braga tem cometido, com a ajuda da ganância dos clubes lisboetas: é o Artur que abandona a concentração para ir a Lisboa assinar pelo Benfica, é o Rodriguez que discute os termos do contrato com o Sporting, são jogadores a sair para clubes estrangeiros, são muitas coisas que fazem parecer que a época já acabou e os futebolistas estão mais preocupados em tratar dos seus contratos que em jogar e tentar vencer a final! Apesar do discurso politicamente correcto que se vai ouvindo e lendo, há demasiados sinais de desconcentração!
Quer isto dizer que o Porto já ganhou? De forma nenhuma! Os jogos podem depender de muitas coisas e uma jogada com golo nos momentos iniciais pode levar a equipa bracarense a superar-se! Lembremo-nos da final de 2004 em Gelsenkirchen quando, logo nos minutos iniciais, Vítor Baía com a sua imensa classe saiu a um Ludovic Giuly isolado e evitou que este fizesse golo! O Porto era bem melhor que o AS Monaco, mas se aquela bola entrasse poderia mudar muito na história do jogo!
Mas do lado do Porto, muito mais experiente nestas coisas de finais, não se vêm os mesmos erros: Hulk assina o prolongamento de contrato, Falcao também e o mesmo se passa com James~; tudo para dar maior tranquilidade aos futebolistas e deixá-los concentrar na final de Dublin! O Porto é melhor que o Braga, vai assumir o seu estatuto de favorito e jogar como tal! Mas vai manter a humildade e o espírito de equipa que o tem carcaterizado e pode até conseguir umas final desequilibrada!

Tem piada

"é o Artur que abandona a concentração para ir a Lisboa assinar pelo Benfica, é o Rodriguez que discute os termos do contrato com o Sporting"

Quando os jornais de Lisboa, esses sacanas, publicam notícias destas, são sempre todas verdade e os clubes de Lisboa, outros sacanas, não olham a meios para atingir fins, não se regendo por qualquer valor moral. Quando as notícias são sobre o Porto, é tudo calúnias sobre o Porto. É duma coerência patológica, mas, lá está, é uma coerência.

Já agora, quando o Porto venceu a Champions, em 2004, se saiu na semana da final que o Mourinho tinha assinado com o Chelsea, isso significa que o tinha feito precisamente nessa semana? O mesmo vale para Deco, Ricardo Carvalho e Pedro Mendes. Também assinaram na semana da final e abandonaram a concentração para isso?

Bom comentário

Concordo com tudo, mas gostava que vencesse o Braga... mas nao vai ser assim.

Cumpts

Seleccione a sua forma preferida de visualização de comentários e clique "Guardar configuração" para activar as suas alterações.