Benfica está muito longe do modelo (exemplar) do Barcelona | Relvado
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Rui Santos responde a um leitor do Relvado, a propósito do aproveitamento da formação de jogadore

Sub-título: 

Cartão roxo: o leitor pergunta

Como é possível um clube (o Benfica) gastar milhões na formação (jovens + academia) e depois o treinador do plantel principal apostar em jogadores estrangeiros sem qualidade ou pelo menos duvidosa (Kardec, etc...)?

Bruno Conde


A resposta de Rui Santos

Meu caro,

Essa é uma questão de fundo importante.

Os jogadores brasileiros têm um estatuto diferente em Portugal e isso faz toda a diferença. Há um lado positivo, mas também um lado negativo, que pode concorrer para que outras Ligas se sintam defraudadas, até ao nível da ‘verdade desportiva’. Regras diferentes para países do mesmo espaço europeu.

Considerando a especificidade do futebol, creio que a FPF e a Liga já deveriam ter feito algo de muito concreto em defesa da Formação. Não faz sentido a existência de Academias para depois os jogadores ‘nacionais’ não terem espaço nas equipas mais representativas.

Não é apenas um problema do Benfica. É um problema do futebol português. E é também um problema de natureza política para o qual não existe nem debate nem consenso.

Os clubes vão agindo e reagindo ao sabor dos impulsos do mercado. É pouco.

No caso do Benfica, a opção por um trabalho mais sistematizado ao nível da Formação (grande exemplo: Barcelona) tem de ser estratégica. Os treinadores deveriam funcionar então como fautores dessa estratégia (como o é Guardiola, no dito Barcelona). O Benfica está muito longe desse modelo e mais próximo dos impulsos do mercado. Em todo o caso, a percentagem de aquisições falhadas tem de diminuir forçosamente. É um problema global; não poder ser um problema do treinador, chame-se Jorge Jesus ou... Zé dos Anzóis.

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Rui Santos no Relvado 1 (fundo verde)
Taxonomia: 
Rui Santos

barcelona

O Barcelona é um modelo ke nao deve ser seguido nem será facil por em pratica as vitorias do Barcelona náo merecem crédito pois são contruidas por gente ke nao entra en campo tem sido assim ha alguns anos basta estar atento e ter boa memória e não se esconder atrás das habilidades do Messi

Não é possível comparar

O Barcelona tem vários jogadores da SUA formação na equipa principal e tem, na equipa B, alguns outros à espera de vez (não são muitos, mas são alguns).
Ora, o Benfica tem Roderick que é ...uma 3ª aposta?
Se nos cingirmos só ao caso português, eu diria que o Benfica anda obcecado com títulos (posso estar enganado, mas é o que penso) - e essa preocupação pelos títulos não me surpreende que vá levá-los a procurar no estrangeiro o que, por cá, está difícil de arranjar: bons jogadores!
O Porto fugiu do habitual: deixou os treinadores portugueses de lado e foi buscar uma equipa técnica completa a um país exemplo de formação (Holanda), com outra noção do que é o jogador do futuro, do que é a competitividade. E os resultados estão à vista...
O Sporting, neste aspecto, parece estar a ficar para trás... E penso em Wilson Eduardo, um jogador que tem tudo para vingar , mas...por onde anda a agressividade? Parece-me um jogador pouco competitivo, ou seja, deverá ser daqueles que, um dia, saindo do Sporting e encontrando um futebol mais raçudo, logo que se adapte vai ser um jogador muito acima da média.
Mas voltando ao Benfica: até em Portugal me parece que está atrás, também, das escolas do Braga e do Guimarães.

Em tempo: já reparam em quantos bons/muito bons jogadores saídos do Rio Ave andam por aí espalhados?
(pois, é esta maldita mania de só olharmos para os grandes...)

UAU

Os jogadores brasileiros têm um estatuto diferente em Portugal e isso faz toda a diferença. Há um lado positivo, mas também um lado negativo, que pode concorrer para que outras Ligas se sintam defraudadas, até ao nível da ‘verdade desportiva’

Segundo o Sr. Rui Santos tudo serve para defraudar a verdade desportiva, mais vale acabar com o futebol de vez...

Gostei

Zé dos anzóis.
Mas temos que ver que os jogadores das camadas jovens não dão comissões, esta é também uma verdade.
Falando um dias destes com um "olheiro"do F. C. do Porto e perguntando eu, porque estando tão perto de Vila de Conde o Porto deixou fugir o Fábio Coentrão para Lisboa? Resposta dele; outros interesses se levantam.
Tá tudo dito.

Saudações (des)portistas

___________
Dragãoport

P.S. Estou à espera para ouvir os seu comentários no Braga x Benfica, fique bem.

Tem que se enquadrar esta temática num plano mais abrangente

Se calhar já poucos se lembram que quando o Barcelona contratou Simão Sabrosa ao Sporting a Direcção foi bastante criticada, porque vários jogadores espanhóis do clube tinham sido campeões da europa de júniores e iriam receber menos que o português. Um desses jogadores era Xavi! Isto para dizer que os resultados desportivos têm que ser alcançados no imediato, ainda mais quando se trata de grandes equipas, o que é o caso. O Barcelona tem muitos jogadores da formação no plantel, mas se repararmos a sua aparição tem sido gradual, ou seja, vai aparecendo um ou dois, no máximo, por época, com um factor essencial aliado, é que os melhores não saiem e ano após ano vão marcando presença.
Se o SCP, por exemplo, tivesse a capacidade do Barcelona, teria hoje no seu plantel Ronaldo, Nani, Quaresma, Moutinho, Veloso, entre muitos outros. A capacidade individual destes jogadores faria, necessariamente, um colectivo forte onde mais fácil seria o aparecimento de mais jovens jogadores. Quando a equipa não está tão bem solidificada, é mais fácil apostar em estrangeiros ou portugueses com outra experiência para equilibrar a equipa. Bem sei que esta politica de aposta na formação é o futuro e assente num projecto a médio prazo dá garantias financeiras e desportivas, mas será que algum dirigente do FCP, SCP ou SLB pode de antemão dizer aos sócios e adeptos que este ano e para o próximo não vamos ganhar, vamos formar uma equipa para daqui a três ou quatro anos. Creio que nenhum tem coragem de o dizer e mesmo que o fizesse creio que as reacções de sócios e adeptos seriam péssimas.
Quanto ao trabalho da formação em Portugal, concretamente no SLB não nos podemos esquecer que, apesar de não terem sido aproveitados nos seniores, Silvio e João Pereira (dois jogadores de selecção) fizeram a sua formação na equipa da Luz. O que quer dizer que a formação do SLB não é assim tão má, tem é sido aproveitada por outros clubes de dimensão inferior.
Já agora, relembro que o FCP, clube já equiparado ao Real Madrid em potencial futebolistico (não por mim, mas pelo autor), não conta com nenhum jogador da sua formação na equipa principal e nesta contam quatro jogadores formados no SCP (Beto, Rafa, Moutinho e Varela), sendo que três destes foram dispensados do clube de Alvalade e deram nas vistas em clubes de pequena dimensão.

Toda esta minha exposição pode ser resumida no seguinte, a formação é essencial nos clubes, mas a forma como é feita a transposição do patamar juvenil para sénior e o seu enquadramento no plantel principal, depende da capacidade do próprio clube em poder rentabilizar esses activos e na capacidade que o seu plantel tem em os absorver e enquadrar.

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