Papoilas saltitantes | Relvado

Papoilas saltitantes

Sabemos que tipo de programas são o Trio de Ataque, o Dia Seguinte e o Prolongamento. É suposto que
 

Hoje vou falar da comunicação social e da forma como ela tenta “informar” imparcialmente os adeptos do futebol. O que nos vendem, porque nos vendem e como nos vendem a dita informação e debate. E escrever sobre um episódio que ilustra tudo isto, ocorrido entre o Chefe de Vendas e um vendedor.

O programa Zona Mista é apresentado como um espaço de análise e comentário desportivo onde os comentadores têm total liberdade. Vai recomeçar, desta vez com António Tadeia e Nuno Farinha. O perfil escolhido dos comentadores é a de jornalistas que confiram ao programa uma aura de credibilidade e de isenção. Quem escolhe tem a presunção de passar ao telespectador essa convicção.

Sabemos que tipo de programas são o Trio de Ataque, o Dia Seguinte e o Prolongamento. É suposto que os comentadores sejam parciais e que revelem o seu clubismo. O programa Zona Mista visava o contrário. Era suposto que os comentadores fossem independentes sem serem parcialmente clubistas. Era essa a ideia que queriam vender ao telespectador.

Ora, todos sabíamos que o João Gobern era benfiquista. Sabia o jornalista Carlos Daniel que o convidou, sabiam 95% dos telespectadores, sabíamos todos. Gostando ou não do que lá se dizia e da maior ou menor capacidade que o João Gobern tinha para se comportar como o Seara ou o Júlio Machado Vaz, todos sabíamos que o homem era benfiquista. Quem o escolheu sabia. Quem o escolheu deve-lhe ter pedido para se tentar comportar à sua semelhança. Já estou a ver a cena: “João! É possível termos clube, falar de futebol e ser imparcial. Olha para mim!”

O pobre do João dava nas vistas. Não conseguia comportar-se à semelhança do homem que o convidou. O homem que o convidou é um ótimo jornalista, com enorme cultura geral, e presumo eu que tal não seja possível sem estar dotado de inteligência acima da média. Imagino eu que, para um tipo medianamente inteligente, era expectável que um homem com o perfil do João Gobern desse nas vistas mesmo que, não querendo ser mal intencionado, de início se lhe tivesse sido formalmente pedido para não o fazer. Um homem como o Carlos Daniel sabia que o João Gobern daria nas vistas. Sabia. 95% dos telespectadores percebia o que lá se passava mas, para a RTP, não havia problema.

95% dos telespectadores sabem qual é o clube do Pedro Ribeiro, do Toni ou do Mozer no programa Mais Futebol. Eles não o escondem, a direção do Programa também e não é suposto que eles estejam lá na pele de analistas imparciais. Arrisco-me a dizer que eles poderiam ter a espontaneidade de festejar um golo do Benfica sem que fossem “despedidos” (as aspas não são lapso). O pobre do João podia dar nas vistas. A continuidade da sua presença no programa indiciava que tal era recompensado. Ter ao lado um jornalista desportivo como o Bruno Prata ajudava a dar credibilidade à coisa. Nunca pareceu ser um debate entre um benfiquista e um jornalista desportivo. Era mais a discussão entre a emoção de quem dava nas vistas e o homem que queria pôr o debate mais racional.

Até que…….. ....Até que, para mal de quem o convidou, o João, que gosta e vibra com o seu Benfica como um simples e normal adepto, teve um gesto. Festejou um golo fundamental da sua equipa e foi apanhado pela câmara. À hora que o programa ia para o ar até podia ser recorrente esta coincidência. Só que os festejos do João, do conhecimento do Bruno, do Carlos e dos moderadores, nunca apareciam.

O Carlos Daniel, que sabia que ele era emocional, sabia que ele dava nas vistas com as suas opiniões pejadas de benfiquismo (quem não se lembra da boca do “eu não fujo para Espanha” própria de um Pragal Colaço) e que, arrisco-me a dizer, com ele já tinha festejado golos das “Papoilas Saltitantes”, ficou sem chão. “Não vai dar mais para aguentar!”

A mais-valia que o João Gobern representava para a RTP num programa daquele perfil teria que acabar. A explicação oficial dada por quem não o convidou – Nuno Santos – foi esta: “Quebra de confiança com o espetador”. “A liberdade de cada um de nós termina quando conflitua com a de alguém.” Que confiança, pergunto eu? 95% dos telespectadores tinham a certeza que ele era benfiquista e que era nesse pele que se manifestava semana após semana através de todo o tipo de comentários. Um adepto de futebol festejar em OFF mas apanhado em ON conflitua com a liberdade de alguém? Um comentador que diz em ON “Eu não fujo para Espanha” num programa supostamente independente não conflituoso com a liberdade dos telespectadores.

A conclusão de tudo remete-me para um artigo de opinião do Ferreira Fernandes no Diário de Noticias. Quem convida e depois não deu a cara quando “despede” é favorável à tese do Clubismo Encapotado. O João Gobern foi convidado porque tinha clube e dava nas vistas e foi “despedido” no exato momento em que os 5% que tinham dúvidas se juntaram aos 95% que sempre souberam. Foi “despedido” porque deixou de poder representar o papel para o qual tinha sido convidado: o do Clubismo Encapotado.

Benfica:

Comentários [8]

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Outra vez?

INCHA, SPAMMER! Só chegaste aqui através de mim, foi?

Lol,

deve ter sido a única vez que ele não fez propaganda ao outro site!

Inteloravel!

Intoleravel é haver nesse tipo de programas Vices como representantes dos seus Clubes.

Por exemplo o intragavel "Silva" no Dia Seguinte, opina ali como adepto ou Vice Presidente? Que independencia revela num espaço que apela à critica do comum adepto de cachecol? E prestes a começar o período eleitoral, será que o Silva irá usar aquele tempo de antena para "defender as suas cores"? Recordo-me que Dias Ferreira, seu colega de programa, durante a Campanha eleitoral para o Sporting, em que foi um dos candidatos, de forma leal e correcta interrompeu a sua participação naquele programa.

Mas na Imprensa escrita, o mesmo acontece. Hoje mesmo lemos o Vice do Benfica Sílvio Cervan na Bola deixar-nos a sua opinião sobre a jornada inicial, e ... Foi mais do mesmo : "Benfica prejudicado, numa GP sobre Rodrigo, Cardozo faz um golo legal...", e nem teve tempo para ver a expulsão do Douglão. Mas em contraponto o mesmo Cervan revela-nos "O Porto teve uma excelente arbitragem que apenas pecou por se exceder nos descontos, coisa que Soares Dias não fez, perante o anti-jogo do Braga"...

Curiosamente, estes opinadores são Admnistradores do Benfica, sendo ambos um caso "virgem", isto é, vemos Eduardo Barroso, também o lemos na Bola, embora pertença aos Orgãos Sociais do Sporting, está na AG, aqui reside a grande diferença!

Incha,

corrupto!

''''''''''''''''''''''''''''''''????????????????????????????????

Camarada troca isso por miudos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

...

...este rapaz anda a fazer publicidade ao blog dele, publicando artigos no relvado.com?
É isso?

Esta parte: "Ter ao lado um jornalista desportivo como o Bruno Prata ajudava a dar credibilidade à coisa".

Rapaz, é precisamente o inverso. O Gobern, que foi/ é um extraordinário jornalista (não confundir com comentador) é que dava credibilidade ao Prata, que, aponte-se, sofre bastante mais do síndrome do Clubismo Encapotado.

Ao momento infeliz do Gobern seguiu-se a disponibilização imediata do lugar. Quantos jornalistas/comentadores da nossa praça o fariam? Olha, o Prata não o fez...

De resto...gostei de ler. Mas ao menos mete no fim "in Tribuna Portista"...

LOL,

e não é que continua?