Mourinho: "Queriam que o Chelsea perdesse em Liverpool" | Relvado

Mourinho: "Queriam que o Chelsea perdesse em Liverpool"

Treinador português deixou um recado aos dirigentes da Premier League.
 
Mourinho sorri ao lado de Brendan Rodgers
chelseafc.com

O encontro entre Liverpool e Chelsea vai reunir as atenções de muitos adeptos, neste sábado, mas José Mourinho ainda não se esqueceu do último encontro entre estes dois "grandes" de Inglaterra.

Em abril deste ano, na antepenúltima jornada da Premier League, o Chelsea jogou em Anfield Road e venceu por 2-0, embora os responsáveis pelo futebol local preferissem um triunfo do Liverpool, acusou Mourinho.

O treinador do Chelsea já tinha dito a Gary Neville, numa entrevista, que aquele dia estava preparado para ser um "dia de festa" para a equipa da casa, que estava perto de ser campeã, enquanto os visitantes iriam ser "os palhaços num circo".

Na véspera de mais um jogo contra o Liverpool, Mourinho explicou: "Quando há pessoas que decidem programar um jogo nosso para domingo, quando tínhamos uma meia-final de Liga dos Campeões (contra o Atlético de Madrid) dois dias depois, é porque não querem que o Chelsea jogue, querem que o Chelsea perca".

"O Liverpool fez o que tinha de fazer, não alterou a data. Tentaram ter o jogo mais fácil possível para serem campeões. Toda a gente sabe que, se eles empatassem, seriam campeões", recordou o português - o Liverpool viria a perder o título para o Manchester City numa reta final dramática.

Mourinho continuou nas críticas: "Nós fomos os profissionais naquela altura. Fizemos o que tínhamos de fazer. Acho que as pessoas que tomaram aquela decisão (data do jogo) não foram profissionais".

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Comentários [4]

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Deixem o Mourinho em paz. O

Deixem o Mourinho em paz. O futebol montou uma cabala mundial contra ele e as suas equipas. Todos torcem contra. Quase todos os treinadores dos campeonatos onde joga e estrangeiros, jogadores adversários, dirigentes, reponsáveis que tutelam o futebol (UEFA e FIFA) já estiveram envolvidos em polémica com Special One. Certamente por que têm inveja e é português. Mourinho jamais provocaria o que quer que fosse, é sempre vítima e nunca culpado...

:) bom comentário André, acho que a tua ironia "nailed it"

porém, deixa-me acrescentar que essa dramatização do Mourinho, em que ele provoca tudo e todos, para depois dar uma de herói, orgulhosamente só contra tudo e todos, é uma estratégia como outra qualquer, como a de Guardiola em querer dar uma imagem de santo, a de Simeone a querer dar uma de guerreiro, um pouco à imagem de Mourinho, mas para já sem a vitimização, etc... no fim do dia, o que conta são os resultados.

Eu costumo dizer, que Mourinho é Porto em forma de treinador, ou seja, ele bebeu toda essa estratégia portista para criar reunir o grupo em prol de um objectivo comum, para os jogadores correrem "the extra mile", para se apresentarem em campo, à Porto, ou à Mourinho, não há nada melhor, que utilizar os títulos de jornais que não gostam de nós, fazer inimigos estratégicos, inventar inimigos, criar um sentimento de revolta, porque se tu jogaste algum desporto, deves saber bem, que não existe nada melhor que a raiva e a revolta para incentivar um grupo de jogadores... lembro-me uma vez, estava a jogar Basket contra uma equipa do centro, já nem me lembro contra quem, estava a jogar sem grande interesse, já estávamos qualificados para a próxima fase da competição, e até estávamos a perder, agarrei um bola com outro jogador, e ao tentar evitar a bola ao ar, atirei com o rapaz para o chão sem lhe tocar, feito parvo, parei de jogar e fui ver como é que ele estava, o tipo aproveita, levanta-se, pega na bola, e vai-se embora... bem, no resto do jogo, acho que fiz o jogo da minha vida, assisti, lancei, dei porrada forte e feio no tipo (de forma inteligente, ou seja, sem o árbitro ver), e no final ganhámos... moral da história, não existe mesmo nada que bata o sentimento de revolta, tenha o motivo que seja...

Cpts.

É um bocadinho por aí sim. É

É um bocadinho por aí sim. É a sua forma de estar no futebol, o que o torna diferente dos outros. Não sou particularmente fã, por que no futebol não há inimigos mas sim adverśarios que devem ser respeitados enquanto tal. É dentro das quatro linhas que tudo se decide ou deve decidir. E Mourinho considera-se o melhor, com um discurso alinhado com a sua estratégia resultadista, da qual também não sou fã. E é neste ponto que discordamos: o resultado é muito importante mas não é tudo nem se sobrepõe a tudo. O discurso de Mourinho é ajustado jogo a jogo e aponta baterias estrategicamente a adversários directos (o ano passado era menos candidato que o City devido aos milhões gastos, depois era menos candidato que o Arsenal devido à estabilidade do clube londrino, depois era menos candidato que o Liverpool por que é o segundo clube com mais títulos em Inglaterra...). É capaz de empatar em casa com o West Ham e dizer que "o autocarro montado" pela equipa adversária é típica do séc XIX e não deveria existir hoje na Premier League, mas depois faz o mesmo com o Liverpool. Argumenta que na época passada não era candidato a nada, o que explicaria o mau futebol da equipa, dizendo que este ano é que se irá impor em todos os campos. Só que, uma vez mais no Ethiad, pratica o anti-futebol sob o argumento que "saiu com a posição reforçada num campo difícil".

Já o defendi antes, para Mourinho ser o melhor não basta ganhar ou ser o globetrotter do futebol (Ancelotti também é tricampeão europeu e campeão em três países e nem por isso é reconhecidamente o melhor do mundo). Tem que fazer as suas equipas jogar em função do investimento feito. Tem capacidade para isso (já o provou no FC Porto) e tem que se impor também diante as melhores equipas do mundo pelo futebol praticado. Ainda que nem sempre ganhe estará sempre mais perto da vitória, conforme acontece com as equipas de Guardiola. Não penso que Guariola dê uma de santo. Ainda no Barcelona tem uma tirada que diz tudo: "A superioridade faz-se dentro de campo e é lá que falamos". Ou seja, defende Pep (e eu concordo) que não é preciso atacar tudo e todos e criar climas de conflito nos campeonatos e fazer a sua equipa ganhar (mesmo colocando em guerra jogadores da selecção espanhola). Por isso disse Xavi: "não sei o que Mourinho quis fazer em Espanha". Nenhum resultado/título pode justificar a deteorização de um campeonato ou clube. Nunca o Real Madrid foi tão impopular quando da presença de Mourinho à frente da equipa principal. E isso em nome de quê? Um campeonato, uma taça (festejada como se fosse a Liga dos Campeões e "vendida" como uma conquista histórica) e uma supertaça em três anos? Um futebol de expectativa diante o Barcelona e outros colossos mundiais tendo o Real a mais cara equipa da história do futebol? Será que para ser bem sucedido e ganhar vale o anti-futebol e gerar um clima de permanente tensão, polémica e inimizade perante todos os agentes do futebol (seja jogadores, treinadores, dirigentes, associações). Será que o futebol é isto e os resultados justificam es te tipo de postura, por mais estratégica que seja?

Simeone tem um estilo diferente e apesar de lhe reconhecer também grandes méritos, não sou particularmente fã. As suas equipas são guerreiras, atingem resultados durante um cruto prazo, mas este ano, por exemplo, tendo-se esvaziado as "ganas" do título (já alcançado pela maioria dos jogadores o ano passado) não está a dar sequência aos bons resultados e, mesmo com mais e melhores opções de qualidade, a sua equipa não consegue dar o "salto" qualtativo. Se treinasse o Real ou o Barcelona manteria (já o reconheceu, aliás) o mesmo estilo. Fechado, fechadinho e golpear em contra-ataque ou bola parada. E isso é muito pouco para a qualidade e investimos dos maiores colossos mundiais. Mas Simeone foi claramente o treinador de 2014, ainda que o prémio da FIFA deve ser entregue a Low para premiar o modelo de futebol de sucesso da Alemanha.

lol

lol