SAD leonina: demasiada razão, pouco coração? | Relvado

SAD leonina: demasiada razão, pouco coração?

 

SAD leonina: demasiada razão, pouco coração?
por Rasputin

O Sporting está a terminar uma época definitivamente fustrante, nomeadamente em
termos dos resultados obtidos pela equipa profissional de futebol. Se durante
grande parte da temporada Laszlo Bölöni foi o alvo único de todas as críticas,
sendo por muitos considerado o principal responsável pela má prestação
competitiva da equipa leonina, nos últimos tempos já muitos adeptos tomaram
consciência de que esta época não foi preparada e planeada da melhor forma,
com responsabilidades parciais dos dirigentes da SAD.

A SAD dirigida pelo Dr. Ribeiro Teles tem primado a sua conduta por uma rigidez
e inflexibilidade quase inéditas, no intuito de sanear as contas do clube e
inverter a tendência tradicionalmente deficitária, que estigmatiza a gestão do
futebol profissional. Na sequência dessa política, predominantemente de carácter
racional, tem-se vindo a assistir a um sério desinvestimento no futebol do
Sporting, causador primário dos maiores prejuízos, a que não será estranho
também o enorme custo acrescido (conjuntural) que constitui a construção de um
novo estádio. Tudo isto parece obedecer a uma certa lógica, que o comum do
adepto compreende e até, na generalidade, aplaudirá.

No entanto, o que o comum do adepto dificilmente entenderá é o facto de
outros clubes de igual dimensão, a viverem um cenário de dificuldades
financeiras
semelhantes, com custos e despesas acrescidas similares, continuarem a optar por
uma política tradicional de aposta e investimento no futebol profissional,
parecendo indiferentes ao cenário global de crise que o desporto rei
atravessa.
Se por um lado podemos dizer que «com o mal dos outros, podemos nós bem», por
outro lado também é verdade que a gestão de um grande clube carece sempre de
uma vertente emocional e de uma certa componente de risco. Aos dirigentes da
SAD do Sporting parece faltar o apelo da emotividade, bem como sensibilidade
para ter em conta o sentimento geral dos adeptos.

É pois, no limiar de uma nova época, que parece agravar-se esta tendência
autista dos homens fortes da SAD. Para além das naturais lutas internas que
se desenrolam, tendo em conta que a actual direcção está a terminar o mandato e
um novo quadro dirigente será em breve eleito, os cenários relativos ao
futuro próximo do futebol leonino não parecem augurar nada de positivo ou
estimulante.
O reinado «Boloniano» do Sporting, que agora termina, deixou marcas
profundas entre a massa adepta, entre as quais um certo desânimo generalizado e
divisões internas bem vincadas. Nesta altura, mais importante do que qualquer
rigor orçamental ou fundamentalismo económico, é necessário mobilizar os
adeptos, motivando-os com um único sério investimento, que capitalize todas as
esperanças e ambições. Falo, naturalmente, no nome do novo técnico
leonino. Basta um auscultar mais atento pelas diversas sensibilidades
sportinguistas para perceber que o «cenário» Fernando Santos não corresponde
a nenhuma das expectativas que uma nova temporada deve trazer e que está
longe de ser o foco agregador tão necessário ao universo leonino. O excesso de
racionalismo da SAD parece estrangular o bater forte do coração
sportinguista.

O Sporting não necessita de «vendedores de sonhos», «mecenas malabaristas» ou
«mafiosos regenerados». O Sporting precisa que se dê continuidade ao
projecto Roquette, um exemplo único de competência, rigor e visão no dirigismo
nacional.
Para isso é necessário que os dirigentes mantenham um equilíbrio entre o que
dita a gestão e o carácter volátil do fenónemo desportivo. Só assim será
possível levar este projecto a bom termo. O caminho actual, em que directores e
adeptos parecem viver em realidades bem diferentes, só irá atrasar o atingir dos
objectivos propostos. Mantenho, no entanto, a esperança de que este «marcar
passo» seja evitável. As próximas semanas o dirão...

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Outras crónicas:
- Crónica -
afinal... de que divisão somos?, por Paulo Verde
- Crónica -
sucumbirá SLB no peso da própria camisola?, por PLO

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Comentários [2]

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caro Rasputin

como não tenho nessa conta o Bettecourt a quem é que referes quando falas em:

O Sporting não necessita de «vendedores de sonhos», «mecenas malabaristas» ou «mafiosos regenerados».

Fiquei curioso...

Re:caro Rasputin

Não sei não, mas atrevo-me a dar dois exemplos: Soares Franco? Luís Duque?...

Porque até parece, ou parecia, que estavam na "calha"...

Mas ninguém melhor que ele para te responder...mesmo cheinho de "jet-lag"...eheheheheh...

Saudações...